Autismo

Existe muita informação sobre autismo, ou transtorno do espectro do autismo, disponível. Muitas são verdadeiras, baseadas em estudos científicos, mas há também muita informações falsas, as conhecidas Fake News.

A primeira informação que se deve saber é quando suspeitar que alguma criança tem autismo ou, como como é chamado na medicina, Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

Características do Autismo

Existem várias características desse problema. As mais importantes são:

Dificuldade em se relacionar com outras pessoas: Isso normalmente ocorre no autismo e se manifesta por diferentes sinais como:

  • Pouco contato visual, a criança evita olhar no olho de outra pessoa ou até olha, mas logo foge o olhar, como se outras coisas lhe chamassem mais a atenção, ou mesmo como se essa troca provocasse algum desconforto.
  • Não mostra interesse por pessoas: a criança prefere ficar sozinha ou se diverte mais com objetos do que com brincadeiras ou jogos com outras pessoas.
  • A criança tem dificuldade de expressar os sentimentos. Chora muito, não consegue ser consolada, fica muito irritada ou mesmo dá risada sem grandes motivos aparentes. Um outro exemplo, a criança se machuca, tem um corte que está sangrando e nem percebe, continua fazendo sua atividade, como se não sentisse dor.

Dificuldade de comunicação: Os sinais mais importantes relacionados à comunicação são:

  • A criança pode não falar ou apenas ter um atraso no início da fala, que normalmente ocorre até os 2 anos.
  • Tem muita dificuldade em começar ou manter uma conversa.
  • Fala poucas palavras.
  • Tem uso repetitivo de algumas palavras ou sons, o que é chamado de ecolalia. Por exemplo, quando é perguntado se quer água, ao invés de responder sim ou não, ela repete “quer água” ou “água, água, água.”
  • Quando vai solicitar algo, muitas vezes prefere dizer na terceira pessoa. Para exemplificar, um menino chamado João, diz: “João quer água” ao invés de “Eu quero água”.
  • Pode ainda ter dificuldade de entender perguntas ou orientações simples, por dificuldade de prestar atenção, principalmente quando não é de seu interesse. É comum a queixa que a criança não olha ou não responde quando chamada pelo nome, mesmo sem ter problemas auditivos.
  • Alteração no tom ou ritmo anormal da fala, podendo usar uma voz cantada ou mesmo sem variar a entonação, semelhante a um robô, um jeito diferente e característico de conversar em que a mímica facial é pouco expressiva.
  • Apresentam dificuldade de contar ou florear uma história, sendo muito objetivos e suprimindo os detalhes. Por outras vezes, quando gostam de determinados assuntos não param de falar, se tornando às vezes chatos, cansativos e repetitivos.

Alteração comportamental: Alguns sinais que sugerem essa alteração são:

  • Faz movimentos repetitivos como balançar a cabeça, o tronco ou as mãos, o que é chamado de estereotipias.
  • Preferência de pisar na ponta dos pés.
  • Preferências alimentares ou seletividade alimentar, come poucos alimentos, sem variedades de cores, sabores ou texturas.
  • Apego excessivo a objetos ou a rotinas. Está sempre com o mesmo brinquedo nas mãos, assiste sempre o mesmo desenho no mesmo horário, só usa um determinado sapato.
  • Pode ter intolerância a luz, som alto ou toque em texturas diferentes, como areia, algodão e grama, como se esses estímulos fossem muito desconfortáveis.
  • Ficam andando de um lado para outro, ou mesmo ficam rodando de maneira repetitiva, sem objetivo.
  • Não dão a função ao brinquedo, preferem rodar a roda do carrinho ou mesmo jogar o xilofone no chão ao invés de tocar as teclas.
  • Nas brincadeiras imitativas ou faz de conta, que é o mundo da imaginação, preferem brincar sozinho, como brincar de mamãe e filhinha com a boneca, mas não consegue o mesmo brincar com outras crianças ou mesmo com adultos. Não deixa os outros entrarem na suas brincadeiras.

Além dessas, existem muitas outras características do autismo, mas é importante deixar claro que a criança não precisa ter todas elas para que se suspeite do problema. Na presença de qualquer um desses é preciso ficar atento.

Deve-se saber também que essas características mencionadas podem ser mais notadas em crianças com idade maior que 2 anos porque até essa idade as demandas sociais são menores e os sinais mais sutis. Antes dos 2 anos os bebês têm várias habilidades sociais, e a ausência delas é altamente sugestiva de TEA.

Aos quatro meses, ou mesmo antes, é esperado que o bebê tenha preferência pelo rosto e voz humana, e a ausência desse sinal é preocupante. Ele deve procurar quando o seu nome é pronunciado em voz alta. O bebê tem a iniciativa de emitir sons ou movimentos, como estender os braços em busca de colo, ou oferecer o pé e a mão para ser cheirada, beijada, ou brincar. Com 6 meses se o bebê deve responder com sorriso ou expressão feliz as brincadeiras das pessoas na maior parte das vezes. Com 9 meses o bebê consegue imitar sons e expressões faciais. De 12 a 14 meses já gesticula e tagarela, como se conversasse. Aos 16 meses já diz palavras isoladas. Com 24 meses forma frases de duas palavras.

Diante de dificuldades ou ausência dessas habilidades deve-se procurar orientação médica para entendimento correto do diagnóstico.

Diagnóstico do Autismo

O diagnóstico é feito pela observação de um profissional treinado e especializado. Esse profissional vai levar em consideração o relato das pessoas mais próximas e avaliar a criança, procurando identificar ou descartar as características mencionadas.

Além disso, é muito importante entender se essas características ocorrem desde o início da infância e observar se o possível comportamento, compatível com autismo, está presente em diferentes contextos e situações, como por exemplo em casa, na escola ou na comunidade de uma maneira geral.

Se esse conjunto de observações estiverem coerentes e sugestivas do problema, se faz o diagnóstico de transtorno do espectro do autismo que ainda precisará ser classificado em leve, moderado e grave a depender da necessidade de ajuda e independência da criança.

Nos quadros leves precisam de pouca ajuda, os moderados precisam de ajuda em diversas situações e os graves precisam de ajuda na maior parte do tempo.

Note que não foi mencionado Autismo infantil, o Autismo atípico, a Síndrome de Asperger, Autismo de alto funcionamento e Transtorno global do desenvolvimento. Essas eram classificações feitas no passado. Hoje em dia fala-se apenas em Transtorno do Espectro do Autismo.

Essa explicação sobre o diagnóstico já responde uma dúvida muito comum, que é a existência de algum exame que confirme o diagnóstico. A resposta é Não! Nenhum exame consegue identificar o problema. Como mencionado, o diagnóstico é clínico e baseado em todas as características mencionadas.

Causa do Autismo: A medicina não sabe ao certo a causa do problema. Sabe-se que alguns fatores aumentam o risco como

  • Sexo: o autismo é quatro vezes mais comum nos meninos.
  • Genética: existe um risco mais elevado de autismo quando a história familiar é positiva para esse transtorno.
  • Causas ambientais, como poluição –cidades mais poluídas têm mais casos de autismo.
  • Problemas no parto, prematuridade, baixo peso ao nascer, infecção e diabetes na gestação.
  • Em geral, estresses tanto na mãe gestante quanto no bebê recém-nascido produzem substâncias inflamatórias que podem ser prejudiciais e vão aumentar o risco de problemas de desenvolvimento como um todo.

Existe uma associação entre ácido fólico, vitamina D, ômega 3 e o autismo. No entanto, mais estudos ainda são necessários para que se tenha bem estabelecido como usar esses elementos tanto de forma preventiva como no tratamento do TEA.

Todos esses fatores estão sendo exaustivamente estudados para se ter informações mais precisas sobre a associação de autismo e todos esses fatores.

Aqui cabe uma informação muito importante: Não existe relação entre vacinas e autismo. Isso é Fake News. É uma mentira. É preciso que fique claro: as vacinas protegem as crianças contra uma série de doenças e não causam Autismo.

Tratamento do Autismo

O Autismo não tem cura e também não existe um medicamento específico para esse transtorno. Tem sido divulgado o uso do canabidiol (óleo extraído das folhas da maconha) como medicamento para alterações comportamentais no Autismo. No entanto é preciso deixar claro que os benefícios e os riscos desse tratamento não foram comprovados, e por isso ele ainda não foi aprovado como medicamento para este transtorno.

O que tem comprovação de benefício é o apoio por equipe multidisciplinar e inclui intervenções com terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, pedagogos e médicos.

Com esse tratamento é possível melhorar o comportamento, a comunicação e as habilidades sociais, tendo forte impacto no bem estar e qualidade de vida das pessoas com Autismo e de sua família.

Uma segunda informação é sobre a Prevenção: Ainda não se tem uma estratégia definida para prevenir o autismo. Sabe-se, porém, que quanto antes for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento melhores os resultados.

Por isso se forem observadas algumas das características mencionadas, deve-se procurar um médico especialista, que pode ser um pediatra, um neurologista infantil ou um psiquiatra infantil.

Existem muitos filmes que retratam diferentes formas de autismo. Se houver interesse pode-se assistir Rain Man(1988), O Enigma das Cartas (1993), Um Amigo Inesperado (2006), Temple Grandin (2010), e mais recentemente as séries The Good Doctor e Atypical (2017).

Assista no vídeo a seguir a explicação de nosso especialista!

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