Displasia de Quadril

Antes de explicar sobre o Displasia do Desenvolvimento do Quadril ou simplesmente Displasia de Quadril, é preciso entender como é a anatomia e o desenvolvimento da articulação do quadril.

No quadril está a articulação do osso da coxa, chamado fêmur, com a bacia propriamente dita. Mais precisamente, essa articulação é formada pela cabeça do fêmur e por uma parte da bacia chamada de acetábulo. Essas duas estruturas encaixam-se perfeitamente, sendo a cabeça do fêmur esférica, em formato de bola, e a região acetabular em forma de taça.

É esse formato de articulação e de ossos que possibilita mexer a perna para frente, para trás, para um lado ou para o outro ou mesmo fazer movimentos circulares.

Para o desenvolvimento perfeito dessas estruturas é preciso que ambos  os ossos estejam encaixados de forma correta. Qualquer desalinhamento desses ossos pode levar à má formação. Se o fêmur está na posição correta o acetábulo irá se desenvolver normalmente e ao final desse processo a criança terá uma articulação normal. Se, por outro lado, a cabeça do fêmur do bebê não está na posição certa, está mais para cima, por exemplo, o acetábulo não irá se desenvolver corretamente e ao final disso a articulação, que era para estar fechada envolvendo a cabeça do fêmur, estará mal formada, ficando com o teto acetabular, o que chamado de displásico.

A definição médica de Displasia de quadril é uma alteração na formação da articulação do quadril, que gera perda parcial ou completa da congruência entre a cabeça do fêmur e o acetábulo.

Consequências da Displasia do Quadril

O quadril, estando malformado, possibilita ao fêmur ficar parcialmente ou totalmente fora da articulação, muitas vezes mais para cima. Se o fêmur fica mais para cima, a perna toda fica mais para cima e o resultado é que a criança terá uma perna mais curta que a outra.

Esse fêmur, estando fora da posição ideal, pode também gerar limitação de algum movimento da perna e desgaste precoce dessa articulação, podendo evoluir até para artrose, além de importante limitação física e funcional durante o crescimento.

Fatores de Risco

Na fase inicial, logo após o nascimento, os sintomas são muito pouco evidentes. É exatamente por isso que os pais devem ficar atentos, especialmente se tiverem presentes os seguintes fatores de risco:

  1. Durante a fase final da gravidez o bebê permanecer na posição sentado, o que é chamado de apresentação pélvica;
  2. História familiar: Se uma pessoa tem algum familiar que teve displasia, a sua chance de ter um bebê com displasia é 12 vezes maior, e se o primeiro filho tem ou teve displasia de quadril, a chance do segundo filho é 17 vezes maior;
  3. Sexo do bebê: Displasia de quadril é 4 a 5 vezes maior em paciente do sexo feminino;
  4. Gestação: é muito mais comum na primeira gestação da mulher. Para se ter uma ideia, 6 em 10 casos acontecem na primeira gestação. É mais comum também se a gestação for de gêmeos e se a mulher tiver pouco líquido no útero durante a gravidez, o que é chamado de oligodrâmnio.
  5. Problemas do bebê: se a criança nasceu com torcicolo congênito ou metatarso aduto, deve-se ficar atento porque esses problemas podem estar associados à displasia de quadril.

No Brasil é usado o chamado rastreamento seletivo para essa doença. Ou seja, na maternidade todas as crianças são submetidas a dois testes clínicos denominados testes de Ortolani e Barlow. São testes de instabilidades, testes provocativos em que se avalia a instabilidade do quadril. O médico movimenta a perna do bebê em diferentes posições, geralmente em rotação externa e abdução, de forma a avaliar a congruência da articulação do quadril.  Caso se escute um “estalo na região do quadril” esse teste é considerado positivo e nesse caso deverá ser encaminhado para uma avaliação mais criteriosa com exames complementares.

Na presença dos fatores de risco mencionados, especialmente apresentação pélvica, história familiar e parto gemelar, é aconselhável encaminhar para exame complementar, mesmo se o teste clínico for negativo.

O diagnóstico é feito por ultrassonografia de quadril, normalmente indicado a partir das primeiras semanas de vida do bebê. Nos pacientes mais velhos, após os quatro meses, o Raio X de bacia também auxilia o diagnóstico.

Tratamento para Displasia no Quadril

Realizado o diagnóstico, deve-se iniciar o tratamento o quanto antes. O tratamento é baseado no restabelecimento da posição correta da cabeça do fêmur no acetábulo, ou seja, na congruência da articulação. Estando na posição correta isso propicia o desenvolvimento adequado da articulação.

Com bebês de até seis meses o tratamento inicial é o uso de um aparelho chamado de suspensório de Pavlik. Este aparelho matem as perninhas do bebê abertas e dobradas, estabilizando a articulação no lugar. Esse suspensório deve ser usado por aproximadamente 6 a 12 semanas e apresenta mais de 90% de bons resultados.

Se o diagnóstico for feito após os 6 meses de idade ou em casos de falha no tratamento inicial, tratamentos mais invasivos podem ser indicados que vão desde gesso do quadril até o pé, ou mesmo cirurgias. Por isso o diagnóstico precoce é tão importante.

Displasia do Quadril é um problema mais comum do que as pessoas imaginam. Estima-se que 1 em cada 1000 bebês que nascem tenham esse problema. Como mencionado, o diagnóstico precoce ajuda muito no tratamento e evita complicações sérias ao longo da vida. Por isso deve-se ficar atento aos fatores de risco e sinais mencionados. Na suspeita de displasia de quadril deve-se procurar o médico o quanto antes. O médico mais indicado é o Ortopedista, de preferência o Ortopedista infantil.

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