Glúten

Hoje em dia fala-se muito em glúten como um grande vilão, que dieta sem glúten faz bem, que o glúten pode causar uma série de doenças, e que pode fazer mal para as pessoas. Algumas dessas informações são verdadeiras e muitas outras não tem nenhum embasamento científico. No final, as pessoas ficam confusas, sem saber em quem acreditar. Os principais aspectos sobre esse assunto serão explicados aqui.

O que é o glúten

Grande parte das pessoas acha que o glúten é um carboidrato, mas na realidade é um composto feito de proteínas, principalmente a gliadina, que está presente no trigo, centeio e cevada.

É o glúten que dá a consistência aos alimentos. É bem mais fácil de entender nas massas, que tem que ser elásticas para se conseguir moldar e fazer pão ou macarrão, por exemplo, e ao mesmo tempo precisam ser resistentes, não rasgando quando esticamos um pouco.

 

Mas não é só no pão e nas massas que encontramos o glúten. O glúten também é encontrado em diversos outros alimentos, como tortas, cereais, produtos industrializados de uma forma geral, como salsicha, maionese, salgadinho, shoyo, na cerveja e em algumas medicações.

 

Esses alimentos fazem parte do dia a dia de grande parte das pessoas no Brasil e no mundo. Para a imensa maioria das pessoas o glúten não faz mal algum. Mas se uma pessoa tiver Doença Celíaca ou Intolerância ao Glúten, esses alimentos podem sim fazer mal.

Sintomas

Existem quatro principais sintomas que merecem ser destacados para se suspeitar que o glúten está realmente fazendo mal, ou que se pode ter esses problemas:

  1. Dor abdominal;
  2. Aumento do volume abdominal, o que é chamado de distensão abdominal. A barriga fica um pouco estufada;
  3. Diarreia: Esses pacientes podem ter aumento do número de evacuações, mais de três evacuações ao dia, ou fezes mais amolecidas;
  4. Gases e flatulência.

Pode-se perceber que esses sintomas são muito comuns. Não é só a Doença Celíaca e Intolerância ao Glúten que causam isso. Existe uma série de doenças que podem confundir o diagnóstico.

Portanto, outros fatores devem ser observados.

Uma característica importante no caso da Intolerância ao glúten é que normalmente esses sintomas acontecem logo após a ingesta de alimentos com glúten. Fica claro que ao ingerir algum alimento com glúten os sintomas surgem imediatamente nas primeiras duas horas após a ingestão desse alimento.

No caso da Doença Celíaca a relação dos sintomas com a ingesta de alimentos com glúten nem sempre é bem marcada assim. Na Doença Celíaca os principais sintomas continuam sendo dor abdominal, distensão abdominal, diarreia crônica, com mais de três evacuações por dia, fezes amolecidas, gases e flatulências. Além disso, na doença celíaca, como há problemas na absorção dos nutrientes, esses pacientes também podem ter anemia e deficiências nutricionais de uma forma geral. Todos esses são considerados sintomas típicos da doença celíaca.

A doença celíaca pode afetar praticamente todos os órgãos do corpo, o que é chamado de forma atípica, podendo causar

  • Cansaço, fraqueza no sistema osteomuscular e até mesmo osteoporose
  • Na pele, a doença celíaca está associada a um tipo específico de lesão com pequenas bolinhas, chamada dermatite herpertiforme, por ser semelhante às lesões do herpes, e que é frequente nas regiões das mãos, cotovelos e joelhos.
  • No sistema neurológico a doença celíaca pode causar alterações visuais, alterações inespecíficas como enxaqueca e até crises convulsivas.

Pode também estar relacionada a alterações em exames laboratoriais do fígado ou tireoide, como também pode ser uma das causas de infertilidade em mulheres jovens, dentre outras.

Diferença entre: Doença Celíaca e Intolerância ao Glúten

Iniciaremos com a doença celíaca por ser mais grave.

A doença celíaca é uma doença autoimune, ou seja, a pessoa passa a produzir anticorpos contra o próprio intestino. Essa produção de anticorpos se inicia em pessoas que têm uma predisposição genética e ela é desencadeada após a ingestão do glúten. O glúten então aciona o sistema de defesa e desencadeia uma reação inflamatória, caracterizada principalmente por atrofia do intestino, principalmente o intestino delgado, e pela quebra da barreira protetora do intestino delgado e, então, surgem os sintomas relacionados à doença celíaca.

O diagnóstico da doença celíaca é baseado na combinação dessas manifestações clínicas com exames de sangue que avaliam anticorpos específicos, alterações na endoscopia digestiva e alterações na biópsia do intestino delgado. Essa biópsia é realizada através da endoscopia.

É importante lembrar que os pacientes que têm a Doença Celíaca e que continuam se expondo ao glúten de uma forma contínua e inadvertida, têm um risco aumentado de tumores intestinais.

Tudo isso é diferente da Intolerância ao Glúten, também chamada de sensibilidade ao glúten não celíaca.

De forma diferente da doença celíaca, a intolerância ao glúten não é uma condição geneticamente mediada, não existe a formação de anticorpos, não há inflamação intestinal e de maneira nenhuma há risco de malignidade.

O diagnóstico da Intolerância ao Glúten é clínico, ou seja, não há exames específicos que diagnosticam o problema. É basicamente feito através da relação dos sintomas com a ingestão do alimento com glúten. Esses pacientes têm sintoma imediatamente após a ingesta do glúten.

Tratamento

Nos dois casos, deve-se evitar o glúten. No caso da doença celíaca o tratamento é uma dieta completamente isenta de glúten e que deve ser mantida por toda a vida.

Para se ter uma ideia de como o celíaco deve seguir isso à risca, uma das recomendações importantes é não compartilhar colher, garfos ou panelas entre os alimentos quando se está cozinhando. Se uma pessoa com doença celíaca, por exemplo, corta um alimento que não contém glúten, como uma maçã, mas essa mesma faca havia sido usada para cortar um alimento com glúten, como pão por exemplo, esse paciente está sob o risco de contaminação com glúten. Isso é chamado de contaminação cruzada. Nesses casos, esses pacientes têm maior risco de persistir com a inflamação no intestino delgado por contaminação inadvertida. Às vezes esses pacientes não sabem que estão ingerindo o glúten de uma forma cruzada. É importante que os alimentos do paciente com doença celíaca sejam cozinhados de forma separada do resto da família.

Mas não é porque o paciente com doença celíaca deve fazer isso que se deve achar que o glúten é o grande vilão da dieta. Nesse ponto existem três dúvidas comuns das pessoas, que é importante esclarecer:

  1. A primeira dúvida é se a dieta sem glúten está indicada a todos, e se a dieta sem glúten emagrece e faz bem à saúde.

Isso não é verdade! A dieta isenta de glúten é recomendada apenas para pacientes diagnosticados com doença celíaca. Os alimentos com glúten são ricos em fibras, vitaminas e minerais. A sua substituição por alimentos industrializados que não contém glúten pode aumentar o teor de gordura saturada e açúcares na dieta, e assim engordar. Não se deve retirar o glúten da dieta sem orientação médica ou avaliação nutricional.

  1. A segunda dúvida é se o glúten causa câncer.

Não há evidência científica que comprove que glúten cause câncer nas pessoas de maneira geral. Apenas os pacientes com doença celíaca têm um risco aumentado de tumores intestinais, principalmente quando não fazem a dieta isenta de glúten. É importante ficar claro que as pessoas que não estão nesse grupo não tem o risco aumentado de câncer de uma forma geral.

  1. A terceira dúvida é se é verdade que os pacientes com doença celíaca devem evitar cosméticos ou maquiagem que contenham glúten.

Não: O processo inflamatório que ocorre na doença celíaca requer a presença do glúten no intestino delgado. Não há contraindicação ao contato do glúten com a pele, por exemplo. A reação inflamatória desencadeada na doença celíaca requer a presença do glúten no intestino.

Entendido isso, é importante que tenha ficado claro que o glúten para a maior parte das pessoas não faz mal algum, e que por isso não está recomendado restringi-lo da dieta. Mas se uma pessoa tiver os sintomas mencionados, especialmente se tiver na família outras pessoas com doenças relacionadas ao glúten, ela deve procurar um médico, de preferência um Gastroenterologista clínico.

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