Transtorno De Personalidade Borderline

Para entender o que é o Transtorno de Personalidade Borderline, é preciso explicar brevemente o que é personalidade. Todos nós temos um padrão de sentir, pensar e agir, ou seja, características de como nos comportamos no mundo e com as outras pessoas. Isso é o que chamamos de personalidade e vamos desenvolvendo ao longo da nossa vida.

Algumas pessoas têm uma personalidade que as faz sentir angústia, sofrimento e que diminui a sua habilidade de se relacionar socialmente. É o que chamamos de transtorno de personalidade. Dentro dos transtornos de personalidade existe um tipo chamado Borderline.

A palavra borderline em inglês significa algo que está na fronteira, no limite, por isso esse transtorno também é chamado de transtorno de personalidade limítrofe. O nome vem de um conceito que se tinha de que essas pessoas estavam na fronteira entre as neuroses e as psicoses.

O transtorno de personalidade  está presente em 1,5 a 3% da população geral. Ele ocorre na mesma proporção entre homens e mulheres, embora as mulheres procurem mais por tratamento.

É difícil definir quando começa o transtorno pois ele vai surgindo conforme se desenvolve a personalidade da pessoa, mas em geral os sintomas ficam mais aparentes na adolescência e no início da idade adulta, podendo até mesmo regredir espontaneamente nas pessoas mais velhas.

As causas ou fatores envolvidos no surgimento desse transtorno são vários e vão desde a predisposição genética até eventos estressores na infância e fatores ambientais. São muito comuns no histórico dessas pessoas situações traumáticas, abuso físico e sexual e negligência por parte de pais ou cuidadores.

Sintomas do Transtorno de Personalidade

Um sintoma muito importante do Transtorno de Personalidade Borderline é um medo intenso do abandono. Quando as pessoas com transtorno sentem que estão sendo ou que podem ser abandonadas, elas entram em pânico ou sentem muita raiva. Isso pode ocorrer quando uma pessoa importante para elas está atrasada ou quando demora para responder uma mensagem, por exemplo. Em geral, essas pessoas fazem esforços desesperados para evitar o abandono, mas costumam reagir de forma intensa e agressiva quando se sentem rejeitados, o que acaba levando as pessoas a realmente se afastarem delas.

Outra característica desse transtorno são os relacionamentos instáveis e intensos, alternando entre extremos de idealização e desvalorização. Isso quer dizer que eles mudam o ponto de vista sobre as outras pessoas rapidamente. Eles podem idealizar um namorado ou amigo, por exemplo, no início do relacionamento, querer que passem muito tempo juntos e sentir que está tudo ótimo. De repente, na menor percepção de que a outra pessoa não deu a atenção desejada ou de que está um pouco mais distante, eles ficam desiludidos, reagindo de forma dramática ou agressiva. 

Pessoas com esse transtorno têm dificuldade de controlar a raiva e muitas vezes se tornam inadequados e muito irritados. Eles podem expressar sua raiva com agressividade verbal ou física, muitas vezes direcionada às pessoas próximas como amigos, namorados, familiares ou até mesmo aos profissionais, como psiquiatra e psicólogo. Após os episódios de explosividade, muitas vezes se sentem com vergonha e culpa, reforçando seus sentimentos de baixa autoestima.

Outra característica marcante do transtorno borderline é uma perturbação da identidade, ou seja, eles mudam abruptamente a percepção que têm de si mesmos e da própria identidade. Isso acaba levando a mudanças frequentes de objetivos, valores, opiniões, carreiras e grupos de amigos. Muitas vezes eles têm a sensação de que não existem ou uma estranheza sobre si mesmos. Com muita frequência, eles referem uma sensação crônica de vazio.

As pessoas com transtorno borderline tem o humor instável e reativo, oscilando entre irritabilidade, ansiedade, tristeza, alegria, entre outros. Essas alterações costumam durar poucas horas e raramente duram mais que alguns dias.

Outra característica importante é que essas pessoas têm dificuldade em lidar com o êxito e muitas vezes sabotam a si mesmas quando estão prestes a alcançar um objetivo. Por exemplo, eles podem abandonar a faculdade pouco antes de se formarem ou podem arruinar um relacionamento que estava indo bem.

A impulsividade nas pessoas com transtorno é um sintoma marcante. Essa impulsividade pode estar presente em várias áreas e sempre indica um comportamento autodestrutivo. Por exemplo, elas podem abusar de álcool e drogas, praticar sexo inseguro, ter compulsão alimentar, dirigir de forma imprudente ou gastar demais.

Comportamentos, gestos ou ameaças suicidas são muito comuns, além do comportamento de automutilação como, por exemplo, se cortar, queimar ou se machucar de alguma forma. A automutilação muitas vezes acontece como forma de aliviar a dor emocional que estão sentindo.

Embora muitos dos comportamentos autodestrutivos não visem acabar com a vida, o risco de suicídio nos portadores de transtorno de personalidade é 40 vezes maior do que na população geral. Cerca de 8 a 10% deles cometem efetivamente o suicídio. Muitas vezes as ameaças de suicídio não são levadas a sério e parecem tentativas de chamar a atenção, mas elas podem ser um pedido de ajuda.

Episódios dissociativos, pensamentos paranoicos e, às vezes, sintomas do tipo psicótico, como por exemplo alucinações, sensação de perseguição, podem ser desencadeados por estresse extremo. Esses sintomas são temporários e não costumam ser graves o suficiente para que sejam considerados um outro transtorno psiquiátrico.

Sabe-se hoje que, mesmo com toda a instabilidade e sofrimento que essas pessoas causam a si próprias e a seus conhecidos, o curso do transtorno não é tão negativo como se pensava antes. Estatísticas sugerem que com o devido tratamento, portadores de Transtorno de Personalidade Borderline têm uma melhora importante da maioria dos sintomas.

Por isso, uma pessoa que se identifique com esses sintomas e características de personalidade, não deve deixar de procurar um médico psiquiatra e um psicólogo. O tratamento não é fácil, dura muito tempo e depende da persistência do paciente e dos profissionais, mas com a ajuda adequada, a pessoa pode se organizar e melhorar sua vida e suas relações.

Assista no vídeo a seguir a explicação de nosso especialista!